segunda-feira, 8 de abril de 2013

DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO: CERTO OU ERRADO?


Um tema que é considerado como uma verdade quase que absoluta no meio cristão é a obrigatoriedade dos dízimos. Esse é intocável.  Não o usam para construir Igrejas. Não o usam para ajudar os pobres. Dizem que décima parte de toda renda deve ser entregue para o sustento dos pastores e que a não devolução põe o cristão na condição de infiel ou ladrão.
Mas será que a não devolução do dízimo na nova aliança faz da pessoa um infiel ou um ladrão? Pois bem, define-se dízimo como a décima parte do fruto da terra, dos cereais e dos frutos das arvores, bem como de todo gado que era separado para Deus. As pessoas responsáveis por receber esses dízimos eram os sacerdotes leviticos, tudo segundo a lei Levítico 27:30-32. Ao receber o dízimo os próprios sacerdotes também separavam o dízimo, o chamado dízimo dos dízimos e devolvia para o sumo sacerdote (Números 18:21-31) Esses alimentos eram comidos por esses intercessores no templo. Como essa tribo, os levitas, não possuía recompensa em Israel, Deus lhes deu todo dízimo do fruto da terra e do gado como recompensa. O profeta Malaquias fala que haveria uma benção na lavoura para aqueles que não deixassem faltar alimentos no templo, isto é, o devorador (pragas do campo) não estragaria a roça de ninguém (Malaquias 3:10-11).
Havia dois tipos de dízimos: dízimo anual e dízimo trienal.  Os dízimos anuais eram trazidos ao lugar que o Senhor separou para adoração. Diz as escrituras que se uma pessoa morasse muito longe do Santuário ela deveria vender o dízimo e quando chegasse em Jerusalém comprar novamente as comidas e as bebidas e comer com sua família na presença de Deus. O dízimo trienal era comido na própria cidade onde a pessoa morava. Ela deveria convidar o levita, o estrangeiro e o órfão para comer o dízimo e beber, alegrando-se na presença do Senhor (Deuteronômio 14: 23-29).
Então podemos relacionar o dízimo a três pontos importantes: Santuário terrestre, sacerdócio Levítico, sacrifícios e comidas. A não devolução do dízimo atrapalhava o ministério sacerdotal, pois era a forma de manter e sustentar o sacerdócio. Sem os sacerdotes as pessoas não poderia se achegar a Deus, uma vez que eles eram os intercessores e, por meio dos sacrifícios com sangue, perdoava as transgressões do povo e evitava que as pessoas morressem na presença de um Deus tão santo cuja Glória se manifestava em cima da Arca da Aliança.
Sabe-se que toda lei que havia na Antiga Aliança cujo cumprimento se deu em Cristo foi abolida. Os Cristãos não mais sacrificam cordeiros porque Cristo veio como o cumprimento de todos aqueles animais que morriam pelas pessoas. Os animais pré-figuravam o verdadeiro CORDEIRO que viria. O filho de Deus é nosso sacrifício e justiça. Assim, com a perda de sentido dos sacrifícios, o santuário também perdeu seu valor e objetivo, anulando o sacerdócio levítico. E da mesma forma que os sacrifícios eram figuras do salvador que viria, os sacerdotes também eram símbolos daquele que viria no futuro para ser o ÚNICO intercessor entre Deus e os homens, Cristo Jesus.
Todos os sacerdotes da Antiga Aliança, Melquisedeque, sacerdócio Levítico tiveram seu cumprimento em Cristo. Por isso que a Bíblia relata que com a mudança do sacerdócio e lei também mudou (Hebreus 7:12) Essa é a lei que Paulo tanta fala que foi mudada, não a lei dos Dez mandamentos, mas as leis do santuário e do sacerdócio que estavam relacionadas diretamente com os Dízimos. Quando Jesus aprovou o sistema de dízimo, aprovou porque ainda estava em pé o sistema sacerdotal levítico, o santuário ainda não havia perdido seu valor e importância, pois Jesus ainda não morrera (Mateus 23:23).
Portanto, é um erro acreditar que a entrega de dízimo a partir do novo testamento, aos pastores, é uma forma de continuar com entrega de dízimos que se fazia antes para os sacerdotes no templo. É um erro relacionar o santuário com a igreja e por os pastores como mediadores entre Deus e os homens.  O sistema de Dízimo se encerrou com o fim da lei. A lei que era transitória precisava manter os sacerdotes com alimentos o que não acontece na Nova Aliança, uma vez que cristo como sacerdote não necessita de nenhuma assistência humana para se manter.
Os apóstolos não vieram para assumir os postos dos levitas, Jesus é que veio. A igreja Cristã do primeiro século, por exemplo, sobrevivia com as contribuições e oferta em dinheiro dos irmãos sem a estipulação percentual de 10%. Não havia grandes associações, cada igreja pagava o salário de seu pastor. Salvo a Igreja de Corinto que, por um tempo, não pagou o salário do apóstolo Paulo. Ele ainda diz que deixou de trabalhar e de receber salários em outros lugares para anunciar a palavra de Deus gratuitamente em Corinto. Se os dízimos eram uma obrigatoriedade no novo testamento para sustentar o “pastor –sacerdote”, como dizem hoje em dia, Paulo não poderia abrir mão desse direito, pois assim fazendo, automaticamente, contribuiria com a infidelidade dos irmãos (I Coríntios 9:1-16, II Coríntios 11:7-9, 12: 16,17).  Paulo abriu mão de seu salário porque sabia que as contribuições não eram estipuladas em percentuais e com a obrigação de entregar ao pastor. As contribuições teriam que vir, como aconteceu quando Moisés fez o apelo para o povo de Israel para construir o templo, pelo mover do Espírito Santo nos corações. O ex-fariseu fala da importância de contribuir com alegria segundo o que se tem proposto no coração (2 Coríntios 9:7).
Além do mais, mesmo que os membros quisessem continuar com o sistema de dízimo da Antiga Aliança, que era segundo a lei, deveriam levar somente OS FRUTOS DA TERRA E DO GADO, dinheiro não era aceito, sob nenhuma condição, como forma de dízimo, e não porque não havia dinheiro, pois o dinheiro era aceito como contribuição para outras tarefas no santuário (2 Reis 22:3-7), mas porque o próprio Deus estipulou que dízimo deveria ser somente comida.  No comentário de Mateus 23:23 Jesus menciona “hortelã” “endro” e “cominho” tudo alimento. Em Malaquias 3 o profeta fala da importância de haver comida na casa de Deus.  Quando a pessoa morava muito longe do lugar do santuário, ela vendia seus alimentos- dízimos e viajava com o dinheiro. Chegando ao lugar onde estava o santuário, ela não entregava o dinheiro ao sacerdote, mas comprava novamente os alimentos e as bebidas para comer com sua família e com o sacerdote, alegrando-se na presença do Eterno. (Deuterônimo 14:23-26)
Nem dinheiro e nem metal precioso era aceito como dízimo. Quem garimpasse 200g de ouro puro, por exemplo, não tinha que levar 20g para o sacerdote e muito menos vender para levar o lucro. Caso alguém tivesse uma roça e um comércio no antigo testamento, segundo a lei de Deus, a sua obrigação para com o Senhor, seria somente com a produção da agricultura e não com o lucro do seu comércio.
Assim, dizer que todo cristão deve levar a décima parte de sua renda bruta para os pastores com base em textos que se referia à lei que foi abolida com a mudança do sacerdócio levítico para o sacerdócio de Cristo é uma falácia. As Igrejas de hoje devem ser sustentadas com contribuições e ofertas do coração. Quem não é dizimista não é infiel e muito menos ladrão. É sempre um privilégio contribuir com a obra de Deus, sem dúvida, à medida que contribuímos com liberalidade, com alegria e amor, agradamos o Senhor, porém é inadmissível que organizações religiosas, sob o pretexto de estar preocupado com a fidelidade dos irmãos, vigiem a vida de seus membros ou insinue o dízimo de dinheiro como prova de obediência.